A Amazônia é dos Americanos?

Amazônia Sonho AmericanoO sonho dos americanos é possuir um pedaço de terra na Floresta Amazônica. Nos anos 20, Henry Ford querendo fugir da dominação dos ingleses sobre a borracha foi para a Amazônia. Na construção de casas com estilo faroeste e bairros com a cara de Hollywood, foi um projeto que fracassou devido sua falta de conhecimento.

O local foi chamado de Fordlândia  e era um ideal para Ford, pois além de querer criar uma base produtora de borracha no Brasil, ele queria uma sociedade saudável aos moldes amazônicos, ou seja, ele ficaria livre de toda aquela elite que ele abominava. Nenhum tipo de especialista no plantio de seringueira estava no local para averiguar os insucessos que ocorreram logo quando Ford iniciou os seus projetos.

As casas construídas eram quentes e ótimas para quem morava nos EUA, mas na Amazônia não provocou o mesmo resultado. Foram construídas às margens do Rio Tapajós, e esse sonho acabou atraindo pragas, queimadas e desmatamentos no local, lixo, doenças e rebeliões.

Outros relatos de intervenções dos EUA na Amazônia

Já em 1995, os EUA decidiu que ameaças aos direitos humanos e ao meio ambiente em qualquer parte do mundo poderiam sofrer qualquer tipo de intervenção militar das suas forças armadas. Essa cobiça internacional vem de muito tempo.

Em 1998, no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, um general do alto escalão, Patrick Hughes dos EUA defendeu a intervenção dos americanos na Amazônia, segundo ele, se o Brasil fizesse qualquer coisa com a Amazônia que prejudicasse o ambiente dos EUA, eles estariam prontos para interromper qualquer atividade que os brasileiros estivessem fazendo. Na verdade, devido a variedade de recursos existentes na floresta muitos países se interessam pela internacionalização dos recursos naturais.

Em 2000, Cristovam Buarque (PDT-DF), senador do Distrito Federal, participou de um debate no Hotel Hilton, em Nova York e mostrou o que pensava sobre a internacionalização da Amazônia:

  “Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. 

    Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola.

     Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

     Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!”.

       Trechos da Matéria publicada pelos Jornais o Globo e Correio Brasiliense. 

Para muitos isto é um mito porque a verdadeira internacionalização já ocorreu no passado e ainda hoje presenciamos isto com a biopirataria. O The New York Times em um debate, também considerou a Floresta Amazônica um patrimônio mundial. Já em, 2008, Carlos Minc, em entrevista a Revista Abril, contribuiu com sua opinião, que ele também considera Paris e Nova York um patrimônio mundial.

Assim foi criado o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), que reúne os países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Esse tratado reconhece as fronteiras da Amazônia pertencentes a cada território e promove o desenvolvimento sustentável para equilíbrio do meio ambiente. Assim, para fortalecer o tratado e defender a Amazônia, originou-se oficialmente a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Pulmão do Mundo: Sim ou Não?

A ideia que todos têm de nomear a Floresta Amazônica como pulmão do mundo é que ela purificaria o ar, funcionando com a tranformação do gás carbônico em oxigênio, mas observamos que essa definição é errada. Apesar disso, existem áreas da floresta que exercem grande influência sobre o clima do planeta.

Segundo especialistas, a Amazônia não é considerada o pulmão do mundo como muitos acreditam. Philip Fearnside, ecologista do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), diz que a floresta está em equilíbrio. Se desmatarmos a Amazônia e a destruirmos poderíamos desregular o regime de chuvas e agravar o aquecimento global, assim como acontece atualmente.

Não se sabe de onde surgiu esta expressão, mas Fearnside diz que: "O pulmão não supre o oxigênio, ele tira". A Floresta Amazônica estaria em estado de “clímax ecológico” e toda matéria viva da região é utilizada por outros organismo para o metabolismo, produzindo dióxido de carbono. O oxigênio produzido pela floresta amazônica é absorvido por ela mesma, ou seja, durante o dia a floresta produz quantidades expressivas de oxigênio, através do processo de fotossíntese, mas, os vegetais e outros organismos passam 24 horas por dia respirando este oxigênio produzido.

A Carne Legal

Carne legal é um programa criado, em 2010, pelo Ministério Público Federal e outros órgãos de fiscalização, que trabalham contra a atividade pecuária ilegal que gera o desmatamento na Floresta Amazônica e a degradação social. Eles agem punindo fazendas e frigoríficos que desobedecem a legislação.

Assim, supermercados também eram advertidos quanto ao uso de carne bovina sem comprovação. Eles também estariam contribuindo para os crimes ambientais. O objetivo do programa é garantir que não haverá mais áreas desmatadas e degradação social com a atividade pecuária, tornando a carne bovina de uso sustentável.

Com isso, o documentário "Virando o jogo" foi criado pelo Ministério Público Federal para mostrar que a pecuária pode ser feita de maneira correta e sustentável. Ele retrata toda a história do processo de colonização da Amazônia, a luta para interromper o desmatamento idealizada por Chico Mendes (líder sindical e seringueiro morto em 1988) e a defesa da Floresta pelo Ministério Público Federal e órgãos federais e estaduais ambientais e de monitoramento.

Madeiras com Certificação Florestal

A exploração predatória da madeira é considerada um risco para o meio ambiente. Muitas vezes, não estamos dispostos a pagar por uma madeira ecologicamente correta. A maior parte da destruição das florestas ocorre por causa da agricultura e a pecuária, por contribuírem com a degradação do solo, contudo, o corte inadequado por madeireiros acaba ocasionando um impacto ambiental.

A madeira legal, que é uma madeira especial com certificação florestal, possui grandes características:

  • recurso renovável - se cultivadas podem ser um recurso em renovação constante.
  • biodegradável - ajuda a fertilizar o solo em sua decomposição.
  • reciclável e reutilizável - consome pouca energia na hora da produção.
  • captura de CO² - armazena o dióxido de carbono.
  • isolante - contribui para o aquecimento ou esfriamento de uma casa.
  • gera empregos - estima-se que no Brasil há 6,5 milhões de pessoas empregadas no setor florestal.

Esse programa foi criado pelo governo do Estado de São Paulo, o setor de construção civil e demais órgãos com o objetivo de incentivar o uso de madeira com certificação. Essa madeira deve seguir todos os requisitos listados por lei e ainda ser autorizada por órgãos ambientais. Além disso, ela contribui com o desenvolvimento sustentável, ou seja, uma forma de crescimento capaz de atender as necessidades das gerações atuais e futuras, de forma a não esgotar os recursos naturais existentes.

O Madeira Legal oferece mecanismos de controle (sistema DOF, uma ferramenta eletrônica federal que monitora e controla todas as etapas de produção relacionadas aos recursos florestais) e incentivo ao uso de madeira certificada (as empresas cadastradas no programa se comprometem mais com o meio ambiente, terão a documentação que comprova a comercialização de madeira, assim como o Selo de madeira Legal que dará destaque a empresa que se preocupa com o ambiente, entre outras vantagens), assim como realiza pesquisas e desenvolvimento de produtos adequados a construção civil.

Essas são algumas das ações que os governos buscam para diminuir o impacto causado sobre a Floresta Amazônica e defesa da mesma.