Riacho da Floresta AmazônicaA Floresta Amazônica é uma das maiores florestas tropicais do mundo e está localizada na região norte da América do Sul. Ela ocupa mais de 61% do território brasileiro. Rica em biodiversidade, possui uma fauna que corresponde a 80% das espécies no Brasil e uma flora que contém de 10 a 20% das espécies vegetais do planeta terra. Ainda, sem contar com o fato de que os rios da Amazônia representam a maior reserva de água doce no mundo.

Viajando pela floresta são encontrados grandes ecossistemas tropicais com características diversas, além de um relevo variado, antigo e um clima quente/úmido que caracteriza o ambiente amazônico. Presencia-se também uma diversidade de povos que sobrevivem da floresta. Ela pode ser dividida em: floresta montanhosa andina, floresta fluvial alagada e a floresta de terra firme, sendo que apenas as duas últimas fazem parte do território brasileiro.

A ameaça da ação humana com a devastação, os crimes ambientais, os produtos de exploração, a extinção de animal e a biopirataria, por exemplo, tem sido um dos assuntos que colocam em risco a preservação do ecossistema. Atualmente, os grandes problemas encontrados na Floresta Amazônica são o desmatamento, a má administração dos seus recursos e a necessidade do homem pela constante procura de materiais e alimentos.

Milhares de pessoas defendem a Amazônia, protestando contra a destruição do bioma e mostrando a preocupação com a proteção e preservação da floresta.

Países da Amazônia Legal e Internacional

Nos países da Amazônia Internacional, a Floresta Amazônica ocupa 40% dos territórios: Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Suriname, Venezuela, Guiana e Guiana Francesa.

Já os estados que fazem parte da Amazônia Legal - termo criado pelo governo com objetivo de desenvolvimento da região - correspondem a 60% do território brasileiro e são representados pelos nove estados brasileiros: Tocantins, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará, Amapá, Acre, Maranhão e parte do Mato Grosso.

Ainda de acordo com a legislação da Amazônia Legal, os estados são agrupados em:

  • Amazônia Ocidental: Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima;
  • Amazônia Oriental: Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso;
  • Amazônia Continental: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, República Guiana, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa.

Origem do Nome Amazônia

Estátua Ouro Mulher AmazonaO nome que originou a Floresta Amazônica surgiu com os antigos habitantes e por meio das expedições europeias. Um dos primeiros exploradores espanhois Francisco de Orellana, em 1542, relatou um ataque a sua expedição por mulheres nuas que usavam arco e flecha, no rio Amazonas.

Orellana passou a chamá-las de amazonas. Na mitologia grega, as amazonas tinham o hábito de cortar os seios para melhor manejo de suas armas. Amazona, em grego, significa sem seio. Essas mulheres não aceitavam homens em suas tribos. Assim, por causa da sua crença nos clássicos mitos gregos, ele nomeou o rio.

História da Amazônia

Com extensão total de 5,5 milhões de km², a Floresta Amazônica já foi um imenso monte verde com clima árido que não favorecia a formação de uma floresta tropical na América do Sul. Quando a América do Sul e a África formavam um único continente, não existia a Floresta Amazônica, pois as condições atuais mostram que ela veio sofrendo transformações no decorrer da história.

O ambiente que vemos hoje e a sua biodiversidade foram criados há cerca de 6 milhões de anos, e suas características não são fruto somente das mudanças climáticas e das interações entre as espécies, mas de fatores geológicos, como a elevação de montanhas, como a Cordilheira dos Andes, que abrange sete países: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.

De acordo com o paleozoólogo Peter Toledo*, a vegetação da Floresta se alterou, pois antes de 20 milhões de anos atrás, a Amazônia possuía um clima árido e não tinha capacidade para a existência de uma floresta tropical. Há 6 milhões de anos a Amazônia criou condições para uma floresta como a que temos hoje, apesar de existir a possibilidade da presença de uma fauna/flora na região. Entre 24 e 12 milhões de anos, grandes parcelas de água do mar penetraram a região. A bacia hidrográfica amazônica se formou há 27 mil anos, já o rio amazonas surgiu há 40 mil anos.

A última expansão de espécies, segundo Toledo, data de 4 mil anos devido ao equilíbrio das condições ideais para aparecimento da biota (conjunto de seres vivos que habitam e habitavam no ambiente). O que ele propõe para o problema é a existência de corredores de preservação (corredores ecológicos - são áreas destinadas a gestão da paisagem e a realização de projetos que tem por objetivo a preservação da diversidade biológica) algo que iria contribuir para observar as transformações das distribuições de espécies.

*Peter Mann de Toledo

É paleozoólogo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ele fez parte da 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 2007, onde foi discutido sobre o desenvolvimento da Amazônia e seus recursos de forma sustentável.

Colonização da Floresta Amazônica

Na época que os exploradores chegaram ao Brasil, eles ficaram admirados pela grandiosidade da Floresta Amazônica, denominando-a “Inferno Verde”, por causa do calor proveniente da mata e os perigos que seus expedicionários encontraram durante a exploração. Haviam riquezas e povos de culturas diferentes.

Inicialmente, a região da floresta pertencia aos espanhóis por causa do Tratado de Tordesilhas, feito em 1494, no período colonial, pelo Reino de Portugal e o da Espanha para que fossem divididas as terras descobertas, fora da Europa. Apenas no final da primeira metade do século XVI, os espanhóis começaram a explorar a terra, através do navegador espanhol Francisco de Orellana. Seu escrivão Gaspar de Carvajal foi responsável por relatar os detalhes da floresta. Um de seus relatos foi o ataque à expedição por um grupo de mulheres, referindo-se a elas como as lendárias Amazonas, correspondente à mitologia grega. Por esse motivo, o rio tornou-se conhecido como ‘rio de las amazonas’.

No século XVII, os portugueses foram os primeiros (cerca de 2 mil pessoas) a se interessarem pela região, por causa da cobiça de outros países. Na época, a exploração de frutos como o cacau e a castanha representaram um impacto para as vendas internacionais. A disputa entre Portugal e Espanha durou até 1750 e teve fim com o Tratado de Madri que estabelecia limites geográficos com relação as colônias na América do Sul. Aos olhos europeus, o início de sua colonização representou um paraíso perigoso, mas que era rentável tanto na comercialização de produtos da Amazônia quanto na exploração dos povos da floresta.

Nesta primeira fase destaca-se esse interesse derivado da exploração dos recursos naturais amazônicos, frutos, madeiras consideradas nobres pela Corte. Foi detectado uma dependência entre a Colônia e a Metrópole e a busca pela conquista e desejo de poder caracterizou as dominações e a importação da cultura portuguesa para a América do Sul. Esse fato definiu parte da cultura brasileira e representou para os primeiros habitantes um passado de escravidão e perdas.

Geografia da Floresta Amazônia

Clima Amazônico

O seu clima é o equatorial úmido com temperaturas que variam entre 22 e 28 ºC ao ano. Em um ano chove aproximadamente de 1400 a 3500 mm por ano e o clima é dividido de acordo com duas fases: a seca e a chuvosa. Com a intensidade das chuvas, o nível dos rios aumentam e observa-se que a vegetação, fauna e flora de algumas áreas são bastante afetadas pelo clima.

Solo

Apesar da fartura de vegetais, o solo amazônico é pobre e arenoso, uma casquinha fina, escura com vegetais em processo de decomposição e abaixo dele um solo amarelo, composto de areia e argila.

A camada de nutrientes existentes vem das árvores que se renovam através do processo de reciclagem. Com a serapilheira (material de origem vegetal e em decomposição no solo), milhares de micro organismos, fungos, bactérias liberam nutrientes que são reabsorvidos pelas raízes de plantas ou por novas plantas que se desenvolvem com o cair de sementes.

Com o desmatamento, quando as águas das chuvas escoam pelo solo para formar os rios, elas arrastam uma infinidade de nutrientes deixando o solo ainda mais pobre. Esse processo se chama lixiviação. Somente 14% do solo amazônico é próprio para a agricultura.

Relevo da Amazônia

O relevo é variado e formado por planícies (terreno com pouca variação de altitude), depressões (relevo aplainado) e planaltos (terrenos elevados).

A estreita área de planície possui uma altitude de até 100 m, acompanhando os rios Amazonas, Javari, Solimões, Purus, Juruá e Madeira. Neste tipo de planície há sedimentos provenientes da deposição de aluvião (um depósito sedimentar formado nas margens dos rios e de cursos d'água). As depressões (inclinações suaves geradas pelas erosões em rochas de origem cristalinas) da Amazônia possuem uma superfície com altitude de 100 a 300 m.

Os planaltos possuem uma formação irregular, com altitude acima de 300 m e são decorrentes de processos erosivos sobre rochas sedimentares, assim temos:

  • Planalto da Amazônia Oriental (com altitudes entre 400 a 500 m coberto por mata densa que percorre Manaus e vão até o Oceano Atlântico);
  • Planaltos residuais Norte Amazônicos (variam entre 800 a 1.200 m de altitude), como exemplo o Pico da Neblina e o Pico 31 de março, encontrados na Serra Imerí, fronteira da Venezuela e Amazonas.
Serra de Carajás: a maior reserva de mineral da terra

Um dos maiores tesouros da Amazônia foi descoberto na serra de Carajás: a maior reserva de mineral da Terra. Lá encontra-se grande concentração de ferro, ouro, prata, manganês, níquel, dentre outros elementos, sendo considerada uma Província Mineral de Carajás por conter uma infinidade de recursos minerais e jazidas. Ela está entre os rios Xingu e Tocantins e essas riquezas atualmente são extraídas pela Companhia Vale do Rio Doce, que chega a produzir 240 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano.

A leste do estado brasileiro, no litoral, localiza-se formações recortadas pelo encobrimento das águas de vales costeiros e falésias (formação geográficas que ocorrem no litoral e são resultados do encontro violento entre o mar e a terra). Encontram-se a Depressão da Amazônia Ocidental com altitudes de 100 a 200 m que abrange a maior parte da região, e também, a Depressão Marginal Norte Amazônia e a Depressão Marginal Sul Amazônica. Na área próxima ao litoral encontram-se as Depressões da Amazonia Central, uma área plana com relevos que tem por característica os vales fluviais e pequenas colinas. Ao leste, pode ser visto um trecho com a Depressão do Araguaia-Tocantins, com superfície rebaixada. As Planícies Costeiras se encontram no litoral.

Biodiversidade

Vendo a floresta das alturas, a presença da mata é bem visível e a extensa área verde, na mata fechada, parece não ter fim. O que se observa nesta grande área são as copas das árvores, que de tão juntas, permitem ter essa visão e é por causa delas que há a dificuldade da entrada dos raios solares.

Olhando através das árvores, presencia-se uma variedade de plantas e árvores que são diferentes em espécie e em tamanho. Árvores que chegam a mais de 40 metros de altura e sustentam cipós, as raízes de outras plantas, folhas, ramos, plantas apoiadas em outras e isto não impede a passagem livre dos nutrientes.

Como o solo não recebe muita luz solar, o ambiente é escuro e existe pouca cobertura verde, sendo ele formado por serrapilheira e não por uma vegetação abundante e verde.

Justamente por isso, a fauna da Floresta Amazônica é composta por animais de pequeno e médio porte. A vida nesse ecossistema pode ser interferida por qualquer alteração, quer seja natural ou humana. Esta é a relação entre seres vivos e não vivos e entre o homem que vem causando problemas neste grande bioma.

Animais da Floresta

A floresta amazônica possui uma diversidade de animais, com espécies conhecidas e desconhecidas. A presença dos macacos são as mais frequentes, com espécies como os guaribás, os coatas, o macaco-aranha, dentre outros. É possível encontrar também, muitos peixes, anfíbios, mamíferos, aves (araras, papagaios, periquitos, tucanos, etc.) e diversos insetos (formigas, vespas, besouros, mariposas, dentre outros).

Vegetação

As condições climáticas e o solo de um local são um fator chave para definir as quantidades de espécies animais e vegetais encontradas em um região. O clima pode definir a morfologia das plantas, das árvores, dos seres vivos e a paisagem local. Por isso, a vegetação da Floresta Amazônica é bem diversa e pode ser dividida em:

  • Matas de terra firme – encontradas em regiões mais altas e não são inundadas pelos rios. É afetada pelas queimadas e desmatamento e é onde se encontram as árvores de grande e médio porte, que variam entre 30 e 60 metros.
  • Matas de várzea – são inundadas em curto período de tempo durante o ano, mas em regiões planas a vegetação fica coberta por água.
  • Matas de igapó – encontradas em terrenos baixos, passam a maior parte do tempo inundadas e nela localizamos arbustos, cipós, musgos e a conhecida vitória-régia, um grande símbolo da floresta.

Curiosidades da Amazônia

Pulmão do Mundo: Sim ou Não?

A ideia que todos têm de nomear a Floresta Amazônica como pulmão do mundo é que ela purificaria o ar, funcionando com a transformação do gás carbônico em oxigênio, mas observamos que essa definição é errada. Apesar disso, existem áreas da floresta que exercem grande influência sobre o clima do planeta.

Segundo especialistas, a Amazônia não é considerada o pulmão do mundo como muitos acreditam. Philip Fearnside, ecologista do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), diz que a floresta está em equilíbrio. Se desmatarmos a Amazônia e a destruirmos poderíamos desregular o regime de chuvas e agravar o aquecimento global, assim como acontece atualmente.

Não se sabe de onde surgiu esta expressão, mas Fearnside diz que: "O pulmão não supre o oxigênio, ele tira". A Floresta Amazônica estaria em estado de “clímax ecológico” e toda matéria viva da região é utilizada por outros organismos para o metabolismo, produzindo dióxido de carbono. O oxigênio produzido pela floresta amazônica é absorvido por ela mesma, ou seja, durante o dia a floresta produz quantidades expressivas de oxigênio, através do processo de fotossíntese, mas, os vegetais e outros organismos passam 24 horas por dia respirando este oxigênio produzido.

A Amazônia é dos Americanos?

Amazônia Sonho AmericanoO sonho dos americanos é possuir um pedaço de terra na Floresta Amazônica. Nos anos 20, Henry Ford querendo fugir da dominação dos ingleses sobre a borracha foi para a Amazônia. Na construção de casas com estilo faroeste e bairros com a cara de Hollywood, foi um projeto que fracassou devido sua falta de conhecimento.

O local foi chamado de Fordlândia e era um ideal para Ford, pois além de querer criar uma base produtora de borracha no Brasil, ele queria uma sociedade saudável aos moldes amazônicos, ou seja, ele ficaria livre de toda aquela elite que ele abominava. Nenhum tipo de especialista no plantio de seringueira estava no local para averiguar os insucessos que ocorreram logo quando Ford iniciou os seus projetos.

As casas construídas eram quentes e ótimas para quem morava nos EUA, mas na Amazônia não ocorreu o mesmo resultado. Foram construídas às margens do Rio Tapajós, e esse sonho acabou atraindo pragas, queimadas e desmatamentos no local, lixo, doenças e rebeliões.

Outros relatos de intervenções dos EUA na Amazônia

Já em 1995, os EUA decidiu que ameaças aos direitos humanos e ao meio ambiente em qualquer parte do mundo poderiam sofrer qualquer tipo de intervenção militar das suas forças armadas. Essa cobiça internacional vem de muito tempo.

Em 1998, no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, um general do alto escalão, Patrick Hughes dos EUA defendeu a intervenção dos americanos na Amazônia, segundo ele, se o Brasil fizesse qualquer coisa com a Amazônia que prejudicasse o ambiente dos EUA, eles estariam prontos para interromper qualquer atividade que os brasileiros estivessem fazendo. Na verdade, devido a variedade de recursos existentes na floresta muitos países se interessam pela internacionalização dos recursos naturais.

Em 2000, Cristovam Buarque (PDT-DF), senador do Distrito Federal, participou de um debate no Hotel Hilton, em Nova York e mostrou o que pensava sobre a internacionalização da Amazônia:

  “Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. 

    Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA tem defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola.

     Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

     Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!”.

       Trechos da Matéria publicada pelos Jornais O Globo e Correio Brasiliense. 

Para muitos isto é um mito porque a verdadeira internacionalização já ocorreu no passado e ainda hoje presenciamos isto com a biopirataria. O The New York Times em um debate, também considerou a Floresta Amazônica um patrimônio mundial. Já em 2008, Carlos Minc, em entrevista a Revista Abril, ressaltou que ele também considera Paris e Nova York um patrimônio mundial.

Por conta disso, foi criado o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), que reúne os países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Esse tratado reconhece as fronteiras da Amazônia pertencentes a cada território e promove o desenvolvimento sustentável para equilíbrio do meio ambiente. Assim, para fortalecer o tratado e defender a Amazônia, originou-se oficialmente a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).