Desmatamento FlorestaDesde o início da colonização, o homem tem extraído os recursos da floresta amazônica na busca por especiarias. Isso significa que de 1550 até 1970, o desmatamento na Amazônia era de apenas 1% de toda a floresta. A partir daí, após 40 anos, foram desmatados cerca de 18% (que corresponde a área dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo).

Por causa do aumento da população e a construção de rodovias, as florestas foram as mais atingidas. Como a região norte do Brasil possui um potencial econômico imenso, por causa da presença da floresta, algumas atividades começaram a trazer prejuízo tais como o extrativismo vegetal que consiste na extração do látex, a coleta de castanhas, guaraná; a derrubada de árvores para comercialização de madeira e também, a criação de gados e plantações.

Sem um planejamento adequado, muitos fazendeiros ou famílias não usam os recursos de uma forma correta. Enquanto o índio só provocava desmatamento em áreas necessárias a sua alimentação, não removendo os tocos das árvores ou danificando o solo, os fazendeiros na agricultura e fábricas clandestinas causaram a derrubada de madeira ilegal. As consequências dessa devastação é um dos principais problemas enfrentados no Brasil, provocando a extinção de espécies da fauna, da flora e causando mudanças climáticas.

Órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) utilizam sistemas para monitorar estas áreas. O monitoramento é feito por satélite e o objetivo é quantificar as áreas de vegetação nativa desmatadas, para assim, ter base para a realização de ações de fiscalização, controle e combate dos desmatamentos ilegais. Outro ponto também é que essa análise é capaz de mensurar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) causadas pelo desmatamento ilegal.

Além disso a ocupação e uso dos solos provenientes do crescimento populacional causam:

  • Aparecimento de diversas doenças;
  • Contaminação dos rios;
  • Depósitos de lixo;
  • Falta de saneamento básico;
  • Mau uso da agricultura;
  • Desmatamento para a construção de obras de infraestrutura;
  • Favorecimento às mudanças climáticas.

São diversos fatores que de uma forma ou de outra contribuem para o aparecimento dos impactos que o homem vem causando no ambiente amazônico.

Impactos do Desmatamento

O desmatamento é capaz de causar diversos impactos à floresta amazônica tais como:

  • Perda de oportunidades para o uso sustentável dos recursos da floresta;
  • Perda da biodiversidade;
  • Emissão de Gás Carbônico (CO2) e outros gases que agravam o efeito estufa;
  • Intensificação de desastres da natureza, etc.

Fiscalização e Monitoramento

O monitoramento por satélite é feito desde 1988, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) através do projeto Prodes. Ele analisa o desmatamento por corte raso da Amazônia Legal. As taxas anuais são utilizadas pelo governo para criar políticas públicas na área, a fim de evitar o desmatamento ilegal. Além dele, existem outros dois sistemas oficiais de monitoramento são o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (DETER) e o Mapeamento da Degradação Florestal na Amazônia Brasileira (Degrad - se dedica exclusivamente à degradação da floresta), ambos são operados pelo INPE. Junto com ele há o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) operado pela Imazon, com sede em Belém. Essa última ferramenta cria alertas periódicos de desmatamento.

Controle do Desmatamento

Uma das principais medidas que devem ser tomadas para evitar o desmatamento é o seu controle, tanto por parte do governo, quanto da população, que precisam se conscientizar da importância da floresta para o planeta.

A ação do governo possui uma influência significativa para a contenção do desmatamento, um exemplo disso foi a criação do programa de licenciamento e controle de desmatamento realizado entre 1999 a 2001, pelo governo do estado do Mato Grosso. Eles alcançaram um resultado satisfatório reduzindo drasticamente as taxas de desmatamento no estado. Outro exemplo de controle foi realizado em 2005, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que fez a “Operação Curupira” para impedir a exploração de madeira ilegal. As medidas do governo também podem contribuir com a redução do desmatamento em propriedades privadas.

Unidades de Conservação

As unidades de conservação são espaços territoriais definidos e protegidos para a conservação da natureza de determinado ambiente. Cada um pode ter um objetivo específico, quer seja como uso sustentável, pesquisa, educação ou mesmo para visitação. No mundo, esses espaços são locais de proteção da biodiversidade. Essas unidades podem ser divididas em dois grupos:

  • Unidades de Proteção Integral: a proteção da natureza é o objetivo primordial e suas regras e normas são mais restritivas. Os recursos naturais podem ser usados de forma indireta que não envolva consumo, coleta ou causa dano aos recursos. Um exemplo disso, são a possibilidade de realizar turismo ecológico. São classificadas proteção integral a estação ecológica, reserva biológica, parque, monumento natural e refúgio de vida silvestre.
  • Unidades de Uso Sustentável: são áreas onde é possível utilizar de forma sustentável os recursos naturais e ao mesmo tempo conservar a natureza. São categorias de uso sustentável a floresta nacional, a reserva de fauna, a reserva de desenvolvimento sustentável, a reserva extrativista, área de proteção ambiental (APA), área de relevante interesse ecológico e a reserva particular do patrimônio natural (RPPN).

Na Amazônia, as UCs são um dos principais métodos para barrar a utilização inadequada no solo. Existem várias unidades nos estados compostos pela Floresta Amazônia. A lista das unidades de conservação da Amazônia podem ser encontradas no site do Instituto Chico Mendes (ICMBio).

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão dessas unidades. Ele foi criado pela lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000.

Madeiras com Certificação Florestal

A exploração predatória da madeira é considerada um risco para o meio ambiente. Muitas vezes, não estamos dispostos a pagar por uma madeira ecologicamente correta. A maior parte da destruição das florestas ocorre por causa da agricultura e a pecuária, por contribuírem com a degradação do solo, contudo, o corte inadequado por madeireiros acaba ocasionando um impacto ambiental.

A madeira legal, que é uma madeira especial com certificação florestal, possui grandes características:

  • Recurso renovável - se cultivadas podem ser um recurso em renovação constante;
  • Biodegradável - ajuda a fertilizar o solo em sua decomposição;
  • Reciclável e reutilizável - consome pouca energia na hora da produção;
  • Captura de CO² - armazena o dióxido de carbono;
  • Isolante - contribui para o aquecimento ou esfriamento de uma casa;
  • Gera empregos - estima-se que no Brasil há 6,5 milhões de pessoas empregadas no setor florestal.

Esse programa foi criado pelo governo do Estado de São Paulo, o setor de construção civil e demais órgãos com o objetivo de incentivar o uso de madeira com certificação. Essa madeira deve seguir todos os requisitos listados por lei e ainda ser autorizada por órgãos ambientais. Além disso, ela contribui com o desenvolvimento sustentável, ou seja, uma forma de crescimento capaz de atender as necessidades das gerações atuais e futuras, de forma a não esgotar os recursos naturais existentes.

O programa Madeira Legal oferece:

  • Mecanismos de controle (sistema DOF, uma ferramenta eletrônica federal que monitora e controla todas as etapas de produção relacionadas aos recursos florestais);
  • Incentivo ao uso de madeira certificada (as empresas cadastradas no programa se comprometem mais com o meio ambiente, terão a documentação que comprova a comercialização de madeira, assim como o Selo de Madeira Legal que dará destaque a empresa que se preocupa com o ambiente, dentre outras vantagens);
  • Pesquisas e desenvolvimento de produtos adequados a construção civil.

Essas são algumas das ações que os governos buscam para diminuir o impacto causado sobre a Floresta Amazônica.